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Manuel António Pina

Manuel António Pina
(18 de Novembro de 1943 - 19 de Outubro de 2012)
Morreu, no Porto, o poeta Manuel António Pina, 68 anos, Prémio Camões 2011.
 

 A sua obra poética está reunida no volume Todas as Palavras (2012), editado pela Assírio & Alvim. Além de poeta, é um consagrado autor de literatura infanto-juvenil. Foi, durante mais de 30 anos, colunista do Jornal de Notícias.
A melhor homenagem que se pode fazer a um poeta é: lê-lo.
 

 Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
 
...

 A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

Manuel António Pina, in "Aquele que Quer Morrer"

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